quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Eu fui seu professor!!!








Eu fui seu professor!!!
Fui aquele que pediu para você virar para frente, parar de conversar, prestar atenção. Aquele que pediu para você refazer algumas respostas, pois acreditava que poderia fazer melhor! Aquele que o fez escrever, ler, discutir, pensar, que lhe deu tarefas e ficou triste quando você não as fez. Chamou a sua atenção, repetiu mil vezes as mesmas coisas....
Fui o “professor exigente”...Sabe por quê? Porque o amava e me preocupei com você, com seu futuro; quis que aprendesse e fosse uma pessoa sensacional.
Quando você puder compreender isso, talvez eu já não esteja ao seu lado, mas espero que se lembre de que, um dia, eu me importei com você, que convivemos, estivemos juntos e que tentei ensinar-lhe mais do que o conteúdo da disciplina.
Afinal, minha função é formar cidadãos conscientes e ativos para uma sociedade mais justa.




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Censo Escolar da educação básica 2017


Deborah Fortuna

MEC divulga dados do Censo Escolar da educação básica

São apresentados resultados do número de escolas, de matrículas e de professores

Coletiva de imprensa com a divulgação dos dados do Censo Escolar da Educação Básica. Maria Inês, presidente do Inep, Maria Helena de Castro, ministra da Educação em exercício, Rossieli Soares, secretário da educação básica e Carlos Moreno, diretor de estatísticas do Inep.
O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta quarta-feira (31), o Censo Escolar da Educação Básica. A pesquisa anual do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é feita para monitorar, avaliar e elaborar políticas públicas educacionais no país. O país conta com 184,1 mil escolas — sendo que a maior parte (112,9 mil, o que equivale a dois terços) é de responsabilidade municipal.
Do total de colégios, 21,7% são particulares. 116 mil instituições de ensino oferecem ensino fundamental. O ensino médio é oferecido em 28,5 mil instituições de ensino que atendem 7,9 milhões de matriculados, dos quais 7,9% têm atividades em tempo integral (em 2016, eram 6,4%). Já no ensino fundamental, que tem 48,6 milhões de matriculados, a taxa de alunos em período integral é de 13,9%. O MEC, no entanto, comemorou o aumento das matrículas em escola de tempo integral em escolas públicas de todo o país e atribuiu esse aumento à Política de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. Só neste ano, segundo a ministra em exercício, foram liberados R$ 406 milhões para apoiar estados na implementação dessas unidades.
A queda no número de matriculados no ensino médio foi tema bastante discutido na entrevista coletiva. "O ensino médio vem sendo o grande gargalo da educação brasileira. Iniciamos o século 21 e o problema permanece. O que esse dado está mostrando é algo extremamente preocupante", afirmou a ministra em exercício da Educação, Maria Helena de Castro.
Um dos problemas apontados por ela e que deve ser analisado é o alto índice de jovens inativos, ou seja, aqueles que não trabalham nem estudam. "Chama a atenção pela quantidade. Por isso que o MEC colocou na sua prioridade de agenda a reforma do ensino médio, uma série de ações e a base curricular", disse a ministra.     
Outro grande problema é a questão de que muitos alunos estão na escola, mas na idade escolar errada. Segundo os dados do INEP,  isso ocorre tanto pela reprovação quanto pela alta taxa de abandono escolar, principalmente após o ensino fundamental. De acordo com o censo, nos anos iniciais, observa-se menores taxas de distorção nos estados de Minas Gerais, Mato  Grosso e São Paulo, onde, respectivamente, 69,1%,  61,7% e 56,6% dos municípios apresentaram taxas menores que 5%. 
Já nos anos finais, há uma piora nas estatísticas, em que apenas cinco estados têm algum município com taxas de distorção idade-série inferior a 5%. Os indicadores de aprovação também caíram nesta etapa. Para a presidente do INEP, Maria Inês Fini, há uma cultura de reprovação na sociedade. E isso faz o aluno ficar ainda mais desmotivado e abandonar o colégio."É uma crença de que a reprovação agrega conhecimento. E é o contrário. Temos uma difusão da ideia de que a escola boa é a escola que reprova, mas não. Escola boa é aquela que ensina todos os alunos diferentes, na idade prevista, aquilo que eles têm que aprender", disse Fini. "A aprovação revela a trajetória de sucesso dos alunos. E a reprovação aponta a necessidade de renovar os caminhos", completou. 
O levantamento foi detalhado em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (31), pela ministra da Educação em exercício, Maria Helena Guimarães de Castro.  Foram apresentados os principais números do levantamento estatístico realizado em 2017 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Problemas de acessibilidade e estrutura
Chama a atenção a redução no número de pré-escolas (de 106.204, em 2016, para 105.200, em 2017) e de escolas de educação infantil (de 117.191 para 116.472). Ao mesmo tempo, houve crescimento na quantidade de creches, que saltaram de 65.249 para 67.902. As últimas, porém, se destacam pela precariedade em relação à estrutura, pois 61,1% têm banheiro adequado à educação infantil e apenas 33,9%, berçário. Na educação infantil, a realidade não muda muito, pois só 32,1% das escolas contam com banheiro adequado a alunos com deficiência ou mobilidade reduzida. Mas o Censo aponta uma evolução das matrículas na educação infantil, especialmente nas creches. 
Entre as escolas do ensino fundamental, o número de matrículas caiu. Um dado marcante em infraestrutura é o número de unidades com rede de esgoto: menos da metade (41,6%). Outros 52,3% dispõem apenas de fossa, enquanto 6,1% das escolas não têm sistema de esgoto sanitário. Os estados da região Norte são os mais afetados por essa carência estrutural, o que se explicaria, principalmente, pela menor presença de rede pública de abastecimento nesta região. 

Docentes
Mais de 2,2 milhões de professores dão aulas na educação básica brasileira e a grande maioria é formada por mulheres. Cerca de 80% dos docentes são do sexo feminino, sendo que destas, mais da metade possui 40 anos de idade ou mais. 
Entre os números das estatísticas do Inep, o percentual de professores com formação mais adequada para língua estrangeira nas turmas dos anos iniciais do fundamental foi o mais baixo entre todas as disciplinas: apenas 42% estão devidamente preparados. O melhor resultado do indicador é para educação física (69,8%). 
Para os anos finais do ensino fundamental, o Indicador de Adequação da Formação Docente demonstrou que o pior resultado se dá para a disciplina de artes, já que apenas 31,5% dos docentes possuem a formação adequada para ensinar a matéria. O melhor resultado é observado em língua portuguesa: 62,5% dos dos professores possuem a formação mais adequada.
No ensino médio, a maior carência no indicador está em sociologia, em que apenas 27,1% têm a formação necessária. Os melhores resultados do indicador de formação são observados para as disciplinas biologia, língua portuguesa, educação física, matemática e geografia, com percentuais acima de 70%. 


Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Educação democrática



Só podemos falar de educação democrática plena, se houver uma participação de todos no processo de ensino e aprendizagem, os governos são partes de extrema importância, pois a sua intervenção direta garantindo o direito de educação a todos, faz toda a diferença. Segundo Freire: "Educação libertadora sozinha não produz mudança social. Mas não pode haver mudança social sem uma educação libertadora ".

Neste sentido podemos dizer que a criticidade individual é extremamente importante na formação de um individuo, mas este mesmo sentimento crítico que nos faz um ser único, necessita de associação coletiva para que ocorra a formação moral e intelectual. 

Segundo Gabriel Chalita a educação deve ser um incentivo para a felicidade, como uma maneira de permitir a todos a possibilidade de sonhar, transcender, superar limites e desbravar novos horizontes em direção á sua própria história e a cidadania plena. Chalita afirma que, o processo educativo só se dá quando se cria vínculos. A boa educação deve vir acompanhada de doses maciças de afeto, de compreensão e, sobretudo, do entendimento de que o educando é o sentido único, peculiar, dono de um universo rico e, por vezes, pouco explorado.
O professor é o elo de ligação na construção e desconstrução da educação democrática, mostrando a seu educando que a mudança contínua das ideias, do pensamento e das atitudes, não descaracteriza a identidade de um individuo, mas, formata o seu pensamento crítico, dando assim a este aluno a autonomia em seus conhecimentos. O educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade.

Professor Ednardo Júnior.´.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

No Brasil, a carreira de professor está se tornando uma passagem, um momento de transição para outras funções

No Brasil, a carreira de professor está se tornando uma passagem, um momento de transição para outras funções. O profissional fica no magistério somente até conseguir um cargo mais bem remunerado e provavelmente menos estressante. Prova disso é que 25% dos docentes brasileiros têm menos de 30 anos e apenas 12% estão com idade acima de 50, bem diferente do que ocorre em outros países. Aqui, o professor ingressa no magistério ainda jovem, mas em poucos anos, deixa de ver perspectivas.


A categoria está entre as mais sensíveis à síndrome de burnout. São profissionais que entram na educação movidos pelo desejo de mudança social e lidam diariamente com o desalinhamento entre o sonho e a impossibilidade de alcançá-lo, entre a impotência diante do sistema de ensino e a cobrança da sociedade. Por exemplo, no Distrito Federal, só no primeiro semestre de 2014, foram emitidos 16,4 mil atestados médicos para professores da rede pública – o que significa mais da metade dos 32 mil concursados. Esses dados se repetem pelos estados e municípios brasileiros. A segunda consequência é a perda de talentos, uma vez que muitos dos profissionais acabam aceitando propostas de trabalho em outras áreas.


A baixa remuneração é a gota d’água num contexto desastroso, que combina elementos como superlotação das salas de aula, aumento da indisciplina e do desrespeito pelos mestres, indiferença das famílias e desprestígio social da profissão, falta de estrutura e de recursos nas escolas e o próprio despreparo dos professores para lidar com os desafios educativos de hoje. Esse quadro tem como primeira consequência o chamado “mal-estar docente”: cada vez mais professores adoecem com problemas psicológicos associados a estresse, exaustão emocional, depressão, cansaço crônico e frustração.

No Brasil, faltam 150 mil professores em disciplinas como química, biologia, física e matemática. No total, estima-se que haja carência de 300 a 400 mil professores nas salas de aula. A solução para que os alunos não fiquem sem fazer nada é recorrer a profissionais sem a devida formação. De acordo com o Censo Escolar 2013, o Brasil tem quase meio milhão de professores ativos sem diploma de graduação, o que equivale a 21,9% do total de 2 milhões de docentes.

Esse cenário funciona como barreira de entrada para novos talentos. Uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas mostrou que apenas 2% dos jovens brasileiros querem ser professores. É justamente o oposto do que ocorre na Coreia do Sul, país que lidera os rankings da educação, onde a profissão é tão disputada que fica restrita aos jovens que mais se destacam nos estudos. É extremamente preocupante constatar que muitos dos calouros brasileiros que optam pela carreira de professor são aqueles que não teriam chance de cursar o ensino superior em outras áreas.

Fontes:
g1.globo.com 

http://www.noticiasparaprofessores.com/2017/12/no-brasil-carreira-de-professor-esta-se.html?m=1

domingo, 7 de janeiro de 2018

A influência musical na atual sociedade.



Prof: Ednardo Junior




Pertenço a uma geração que escutava tocar nas rádios Legião Urbana, Ultraje a Rigor, Engenheiros do Havaí, Cássia Elen, Cazuza dentre outros grandes nomes da música popular brasileira. As letras produzidas para dar conteúdo às músicas brotadas entre as décadas de 1980 e 1990 traziam mensagens de cunho político, social e econômico. A situação da política nacional era o principal tema abordado. Sem dúvida a música popular brasileira, neste período, foi uma forma de expressão forte do sentimento de insatisfação da população que trabalhava duro pra sobreviver, pagava impostos e sonhava em ter o mínimo de conforto no dia a dia.
Do outro lado desta mesma sociedade, ficava a elite inalcançável, a classe política, um grupo que tem o poder de mudar as leis, pois é bem mais fácil adaptar a classe dominada as novas regras que mudar as regalias e benefícios geridos apenas para a classe dominante;

Nas favelas, no Senado

Sujeira pra todo lado

Ninguém respeita a Constituição

Mas todos acreditam no futuro da nação (Legião Urbana,1987)

 

Iniciamos agora mais um ano, e o que esperar para 2018? Se outrora a nossa MPB fazia a mente do jovem pensar em tempos melhores, como dizia Renato Russo, “Somos tão jovens” e “Não temos tempo a perder” portanto devemos seguir  “Sempre em frente” (1986). Hoje, nos deparamos com uma diversidade de letras de cunho imoral incentivando a desonra, a traição, a embriaguez tirando a inocência das nossas crianças com músicas e letras que não trazem nenhuma mensagem relevante a nossa construção cultural.

Não precisamos muito tempo pesquisando para encontrar pérolas da música brasileira extremamente popular entre a atual juventude. Na primeira pesquisa encontrei uma desta celebridade,  MC Pikachu, ingressou na carreira do funk ousadia no ano de 2014, aos 15 anos causou polêmica devido às letras de conteúdo explicitamente pornográfico em algumas músicas, mais notável na canção "Tava na Rua", onde também fez referências à drogas ilícitas. Vamos ver um trecho:

 

Tava na rua fumando um baseado

Chegou a novinha me pediu pra dá uns trago

Eu falei assim: Vamos faze um acordo

Dá a buceta pra mim e o cú e fuma o beck todo(MC Pikachu, 2015)

 

Ainda nos festejos de ano novo tive o desprazer de sentar em uma barraca de praia e deparei-me com uma família em seu momento de lazer onde os pais estavam em total descontração com seus filhos. Os homens adultos sentados ao redor de uma mesa degustando uma cerveja gelada em companhia de suas esposas enquanto as crianças brincavam na areia. Até ai tudo bem, acredito ser bastante saudável esta reunião familiar, o problema “a meu ver” era a música que embalava este momento de ternura familiar, letra e música era de autorias de um cidadão chamado Phabullo Rodrigues da Silva, conhecido por seu nome artístico Pabllo Vittar, no qual o refrão diz assim; “Tô preparada pra atacar, quando o grave bater, eu vou quicar, na sua cara vou jogar e rebolar”(2017).

Fico na minha ignorância tentando imaginar qual será o futuro de uma sociedade com práticas culturais tão pobres a ponto de eleger a cantora Anitta,   mulher do ano de 2017, em um mesmo ano que a professora a Heley de Abreu Silva Batista, de 43 anos, morre tentando salvar crianças em uma creche de Mato Grosso, esta heroína, enfrentou um indivíduo insano, na esperança de   impedir que ele  jogasse álcool e, depois, fogo em seus alunos. Por este ato heroico em defesa de várias crianças, ganhou seus 15 minutos de fama e depois caiu no esquecimento da opinião pública.

Pra não dizer que estou sendo injusto dei uma olhadinha na letra de algumas músicas da cantora Anitta, afinal a mesma merecedora de tamanha honraria, nada mais justo apreciar a obra cultural produzida por esta artista;

 

Vai, malandra, an na

Ê, tá louca, tu brincando com o bumbum

An an, tutudum, an na

Vai, malandra, an na

Ê, tá louca, tu brincando com o bumbum

An an, tutudum, an na(2017)

 

Juro que tentei ler um pouco mais, até procurei outras mísicas de autoria desta ilustre representante da atual música popular brasileira, mas acredito que minha inteligência não acompanha esta modernidade, pois na real, não entendi nada.

Para concluir, acredito que devemos celebrar, afinal é o inicio de um novo ano, um novo sol, uma nova era, quem sabe até um recomeço. Foi ai que lembrei de uma outra música que ouvia na minha adolescência, “Perfeição” (Renato Russo,1993):

 


Vamos celebrar a estupidez humana. A estupidez de todas as nações.

O meu país e sua corja de assassinos covardes. Estupradores e ladrões. Vamos celebrar a estupidez

do povo. Nossa polícia e televisão.

Vamos celebrar nosso governo. E nosso estado que não é nação. Celebrar a juventude sem escola,

as crianças mortas.

Celebrar nossa desunião. Vamos celebrar nossa tristeza. Vamos celebrar nossa vaidade Vamos

comemorar como idiotas, a cada fevereiro é feriado.

Todos os mortos nas estradas. Os mortos por falta de hospitais. Vamos celebrar os preconceitos.  O

voto dos analfabetos.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Independência ou Morte!


 
 
A História Secreta da Independência
 
O grito do Ipiranga, segundo o quadro de Pedro Américo
 
 
“Laços fora, soldados! Pelo meu sangue, pela minha honra, juro fazer a liberdade do Brasil. Independência ou morte!”, nestes termos Dom Pedro firmou seu compromisso com o povo brasileiro, às margens do Ipiranga, às 16h30 de 7 de setembro de 1822, em meio às espadas erguidas dos militares que com ele formaram um pálio de aço abrigando o recém nascido Império Brasileiro que nascera politicamente dias antes no mês de Agosto.
A independência brasileira foi resultado direto da ação do movimento maçônico e a história oficial tem ignorado o papel fundamental do líder maçônico Joaquim Gonçalves Ledo. Hoje, as informações disponíveis já permitem uma posição equilibrada, capaz de reconhecer tanto o valor de Gonçalves Ledo, quanto o de José Bonifácio.
O avanço das ideias liberais, estimulado no mundo inteiro pelas maçonarias inglesa e francesa, já era inevitável. Os velhos regimes coloniais e as monarquias absolutistas estavam com os dias contados. Em Portugal, a revolução liberal de 1820 alterou radicalmente a situação e as Cortes (parlamento) portuguesas passaram a pressionar Dom João VI. Quando finalmente o rei deixou o Brasil e voltou para Lisboa, em abril de 1821, as Cortes pretendiam fazer a sociedade brasileira voltar à situação de simples colônia, depois de haver sido sede do Império, e isso acelerou a ruptura.
O príncipe regente Dom Pedro fora aconselhado por seu pai a chefiar a independência caso esta fosse inevitável. Em 9 de janeiro de 1822, ele cedeu a um movimento organizado por José Joaquim da Rocha e outros maçons e desobedeceu os decretos 124 e 125 das Cortes portuguesas, que alteravam a estrutura administrativa do Brasil e mandavam que o príncipe regente voltasse imediatamente a Portugal.
“Diga ao povo que fico”, anunciou Dom Pedro, firmando uma aliança com os maçons.
Em 13 de maio, a loja maçônica “Comércio e Artes” deu a Dom Pedro o título de “Defensor Perpétuo do Brasil”. Crescia a influência de Joaquim Gonçalves Ledo. Poucos dias depois, José Bonifácio assumiu o cargo de ministro do Interior e do Exterior.
Joaquim Gonçalves Ledo, nascido no Rio de Janeiro em 1781, estudou medicina em Coimbra, mas voltou ao Brasil antes de terminar o curso, colocando-se em pouco tempo à frente da luta pela independência e fazendo da maçonaria o centro das novas ideias. Em setembro de 1821 fundou o jornal Revérbero Constitucional Fluminense, que teve grande influência no surgimento de uma consciência nacional brasileira. Em 1821, liderou uma revolta republicana fracassada; no ano seguinte, estabeleceu aliança com Dom Pedro e José Bonifácio em torno de uma independência com monarquia, embora houvesse um grande número de republicanos entre os maçons.
Em 2 de junho de 1822, meses depois do Dia do Fico, Bonifácio criou o Apostolado, organização semelhante à maçonaria, e nomeou Dom Pedro como seu chefe, com o título de “arconte-rei”. Meses antes do dia sete de setembro, um dos lemas do “Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz” era, significativamente, “Independência ou Morte”. Como parte do juramento prestado ao ingressar na ordem, cada novo membro do apostolado dizia:
“Juro promover, com todas as minhas forças e a custo da minha vida e riqueza materiais, a integridade, a independência e a felicidade do Brasil, como império constitucional, opondo-me tanto ao despotismo que o altera como à anarquia que o dissolve. Assim Deus me ajude.”
As palavras do grito do Ipiranga, em 7 de setembro, seriam, mais tarde, praticamente uma renovação desse compromisso por parte do futuro imperador. Gonçalves Ledo e os principais líderes do movimento emancipador eram membros do “Apostolado”. Em 17 de julho Ledo organizou as lojas maçônicas no Grande Oriente do Brasil e ofereceu o cargo de grão-mestre a José Bonifácio, ficando com a posição imediatamente inferior, de primeiro vigilante. Dom Pedro fora iniciado na maçonaria apenas no dia 2 de agosto, nascia o Irmão Pedro Guatimozin.
Em obediência à estratégia traçada por José Bonifácio, principal conselheiro do príncipe, em 1º de agosto, Dom Pedro assinou um “Manifesto aos Brasileiros”, redigido por Gonçalves Ledo, e um decreto tomando providências para a defesa militar e a vigilância dos portos brasileiros. Como proclamação da independência, o “Manifesto” é muito mais claro e poderoso que o Grito do Ipiranga, de 7 de setembro., e tem valor legal e oficial, que o evento do riacho não possui. O nome do autor do Manifesto está claramente estabelecido. O Barão do Rio Branco escreveu:
“Foi Ledo quem inspirou todas as grandes manifestações daqueles dois anos da nossa capital, quem instigou o governo a convocar uma constituinte e quem redigiu alguns dos principais documentos políticos, como o manifesto de 1º de agosto de 1822, dirigido por Dom Pedro aos brasileiros.”
No “Manifesto de Sua Alteza Real aos Povos deste Reino”, o príncipe regente proclama:
“Está acabado o tempo de enganar os homens. Os governos que ainda querem fundar o seu poder sobre a pretendida ignorância dos povos, ou sobre antigos erros e abusos, têm de ver o colosso da sua grandeza tombar da frágil base sobre que se erguera outrora... eu agora já vejo reunido todo o Brasil em torno de mim, pedindo-me a defesa dos seus direitos e a manutenção da sua Liberdade e Independência.”
Dom Pedro acrescenta:
“Acordemos, pois, generosos habitantes deste vasto e poderoso império. Está dado o grande passo da vossa independência e felicidade há tanto tempo preconizados pelos grandes políticos da Europa. Já sois um povo soberano; já entrastes na grande sociedade das nações independentes, a que tínheis todo o direito... a Europa, que reconheceu a independência dos Estados Unidos da América, e que ficou neutra na luta das Colônias Espanholas, não pode deixar de reconhecer a do Brasil (...). Que não se ouça entre vós outro grito que não seja União. Do Amazonas ao Prata que não retumbe outro eco que não seja Independência. Formem, todas as nossas províncias, o feixe misterioso que nenhuma força pode quebrar...”
No mesmo Manifesto de Primeiro de Agosto de 1822, o príncipe anuncia:
“Mandei convocar a Assembleia do Brasil, a fim de cimentar a Independência Política desse Reino, sem romper, contudo, os laços da Fraternidade Portuguesa; harmonizando-se com decoro e justiça todo o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e conservando-se debaixo do mesmo Chefe duas Famílias, separadas por imensos mares, que só podem viver reunidas pelos laços da igualdade de direitos, e recíprocos interesses.”
Três dias depois do Manifesto, o Irmão Pedro Guatimozin ascendeu ao grau de mestre maçom. Em 7 de setembro, ocorreu o Grito do Ipiranga. Em 9 de setembro, em reunião maçônica no Grande Oriente do Brasil, Dom Pedro foi proclamado Imperador. Os acontecimentos se precipitaram. Em 18 de setembro ele escreveu a Dom João VI anunciando que o Brasil não obedeceria mais às Cortes portuguesas. Em 12 de outubro foi aclamado publicamente como imperador.
Todos esses dados, e inúmeros outros fatos que os reforçam, estão indiscutivelmente documentados e consensualmente estabelecidos. O Grito do Ipiranga, em setembro, é uma ratificação da Declaração da Independência feita mais de um mês antes.

Texto Adaptado por Bruno Macedo da Obra: A História Secreta da Independência, de Carlos Cardoso Aveline

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Escadas de Jacob

Escadas de Jacob


Escada de Jacob por William Blake(c. 1800, British Museum, Londres)
Jacob a sonhar - El sueño de Jacob(1639) de José de Ribera, no Museo del Prado, Madrid.
Escada de Jacob (em hebraico: Sulam Yaakov סולם יעקב) refere-se à escada mencionada na Bíblia (Gênesis 28,11-19), que se caracteriza o meio empregue pelos anjos para subir e descer do céu. Foi imaginada pelo patriarca Jacó num dos seus sonhos, depois de ter fugido da confrontação com o seu irmão Esaú: Quando Jacob teve essa visão durante o sono, de uma escada, cujos pés repousavam sobre a terra, e cujo topo chegava aos céus. Anjos continuamente subiam e desciam através dela prometendo-lhe a bênção de uma numerosa e feliz posteridade. Quando Jacob acordou, ele estava cheio de gratidão, e consagrou o local como a casa de Deus.

Origem

A descrição da Escada de Jacob aparece no Genesis 28:10-19,
"E saiu Jacob de Beer-Shéba, e foi a Haran. E chegou ao lugar ( Makom 13), e pernoitou ali, porque se havia posto o sol. E tomou das pedras do lugar, e colocou-as à sua cabeceira, e deitou-se naquele lugar. E sonhou, e eis que uma escada estava apoiada na terra, e seu topo chegava aos céus: eis que anjos de Deus subiam e desciam por ela. E eis que o Eter-no estava sobre ela, e dizia: “Eu sou o Eterno, DEUS de Abrão, teu patriarca, e D”S de Isaac. A terra sobre a qual tu estás deitado , a ti darei-a, e à tua semente . E será tua semente como o pó da terra, e te espalharás ao oeste, e ao leste, e ao norte, e ao sul. E se abençoarão em ti todas as famílias da terra, e em tua semente ... ”. E despertou Jacob de seu sono, e disse: “Certamente o Eterno está neste lugar, e eu não sabia. E temeu e disse; “Quão espantoso é este lugar! Este não é outro que a casa de Deus, e esta é o portal dos Céus ... e chamou o nome daquele lugar Betel.'"

Interpretações

Esta escada, tão marcante para a história do povo judeu, encontra o seu análogo em todas as antigas iniciações. Seja ela uma coincidência, ou uma teoria; ou se derivado de uma base comum de simbolismo, é certo que a escada como um símbolo de progresso moral e intelectual existia quase universalmente, apresentando-se como uma sucessão de degraus, ou portões, ou modificada de alguma outra forma. O número de degraus variava, embora o favoritismo tenha recaído sobre o número sete, provavelmente devido ao caráter mistico deste número aceito em quase todos os lugares.
Essa escada também é interpretada pelos cristãos como a prefiguração de Jesus Cristo (João 1.47-51), pois ele dá acesso ao Pai em um Espírito (Efésios 2.18), que é o único "mediador entre Deus e os homens" (1 Timóteo 2.5). O nome de Betel significa "a casa de Deus."

FONTE:https://pt.wikipedia.org/wiki/Escadas_de_Jacob

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O sistema educacional brasileiro não promove a equidade

Sobram vagas e há alta rotatividade no corpo docente nas escolas que atendem alunos de baixo nível socioeconômico 



Primeiro Boletim da Fundação Lemann traz vários dados do cenário da educação com recortes inéditos por nível socioeconômico e mostra como o sistema educacional brasileiro não promove a equidade. 

Lançada nesta segunda-feira, 12 de junho, a análise "As desigualdades na educação no Brasil: o que apontam os diretores das escolas", feita pela Fundação Lemann, evidencia os desafios enfrentados pelas escolas que atendem alunos de baixo nível socioeconômico (NSE), contribuindo para a manutenção da inequidade na aprendizagem. Para mapear este tema, a Fundação Lemann analisou as respostas dos diretores escolares no questionário da Prova Brasil 2015, com a adição de dados do IBGE e de um capítulo inédito do estudo Excelência com Equidade sobre o assunto.
Confira o Boletim na íntegra aqui.
Fonte: http://www.fundacaolemann.org.br/boletim-educacional/?j=64833&e=ednardohistoriador@hotmail.com&l=1470_HTML&u=1044624&mid=7277802&jb=50&utm_source=&utm_medium=&utm_term=&utm_content=&utm_campaign=

domingo, 9 de julho de 2017

DICA DE FILME "Getúlio"


"Getúlio", Brasil, 2013
Direção: João Jardim
Sinopse do filme.
“Agosto de 1954. O jornalista de oposição e dono de jornal Carlos Lacerda, sofre atentado a bala na porta da sua casa em Copacabana. O pistoleiro erra o tiro e mata o major da Aeronáutica Rubens Vaz, que fazia a segurança de Lacerda. O presidente da República, Getúlio Vargas, é acusado de mandar matar o maior inimigo político do seu governo. Getúlio passa a ser pressionado por lideranças militares e pela oposição para renunciar ao mandato. As investigações mostram que a ordem para o atentado saiu de dentro do Palácio do Catete. O tenente Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente e seu homem de confiança há anos, é acusado. Ao lado da filha, Alzira Vargas, seu braço direito na presidência, e colaboradores fiéis como Tancredo Neves e o general Zenóbio da Costa, Getúlio tenta se manter no poder e provar sua inocência. Diante das ameaças que pedem a deposição imediata do presidente, o presidente comete ato extremo.” 
Veja o filme completo: 


segunda-feira, 3 de julho de 2017

Todos iremos envelhecer


idosos
O avanço da idade é inevitável. O processo pode ser mais avançado para um e menos para outros, mas todos iremos envelhecer. Já percebeu que algumas pessoas parecem mais velhas do que outras, mesmo tendo a mesma idade? Claro que todos querem prolongar a juventude o máximo que podem, mas como isso é possível? O segredo está nos hábitos. Veja o que você faz todos os dias e repare se os seus hábitos lhe ajudam a envelhecer com saúde e parecer mais jovem do que realmente é, como:
Cair em tentação na alimentação. Dormir demais. Não amar a si mesmo. Problemas com álcool. Não perdoar. Ser antissocial. Exercícios por obrigação.  Ser sério demais.
A idade pode trazer aquela melancolia, aquela tristeza… Mas não é sua culpa, certo? Então por que deixar tomar conta? Um dos principais fatores que envelhecem mais as pessoas é o mau humor, a tristeza. Remova isso de sua vida e substitua por um sorriso. Não leve tudo tão a sério, nem carregue nas costas os problemas dos outros. Lembre-se de ser otimista o tempo todo. Quanto mais otimismo tiver, mais jovial será. Onde quer que esteja, nunca perca a oportunidade de dar uma enorme gargalhada!
O poeta Mário Quintana disse: “A vida… é um dever que trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê já são seis horas há tempos… Quando se vê já é sexta-feira… Quando se vê passaram 60 anos!”
Uma repórter da Folha de São Paulo, entrevistando um idoso a ele perguntou: Qual o seu maior mal? Ele respondeu. A solidão.
O que é solidão?
Do latim sol?tas, a solidão é a falta de companhia. Essa falta ou carência pode ser voluntária ou involuntária. A solidão, por conseguinte, implica a falta de contato com outras pessoas. Trata-se de um sentimento ou estado subjetivo, tendo em conta que existem diferentes graus ou matizes de solidão podendo ser encarados de diferentes formas dependendo da pessoa.
Clarice Lispector disse: “Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite”. Clarice se sentia fortalecida, precisava ficar só, com certeza era para escrever ou se enganava por não ter outra saída.
Há quem diga que a solidão é um sentimento no qual uma pessoa sente uma profunda sensação de vazio e isolamento. A solidão é mais do que o sentimento de querer uma companhia ou querer realizar alguma atividade com outra pessoa não porque simplesmente se isola, mas porque os seus sentimentos precisam de algo novo que as transforme. Solidão não é o mesmo que estar desacompanhado. Muitas pessoas passam por momentos em que se encontram sozinhas, seja por força das circunstâncias ou por escolha própria. Estar sozinho pode ser uma experiência positiva, prazerosa e trazer alívio emocional, desde que esteja sob controle do indivíduo.
Enfoquemos então aquele mal respondido à repórter. O idoso e a solidão.
A terceira idade ou melhor idade, reassumiu um papel importante na sociedade tendo em conta a perda do importante papel social que os “mais velhos” outrora usufruíram e que na sociedade atual deixaram de ter. O Idoso, devido sua sabedoria e experiência de vida, era, no passado, uma pessoa respeitada e vocacionada para transmitir aos jovens os conhecimentos adquiridos ao longo de toda a vida.
Fácil é concluir que, no passado, o único meio de transmitir a experiência aos jovens era através dos “idosos”. Como na época não havia instituições ou escolas para o fazer, eram os mais velhos, os idosos, que desempenhavam o papel determinante na formação, e na transmissão das experiências e do conhecimento. Daí a sua importância social.
O aumento da longevidade, e as transformações sociais, econômicas e culturais sofridas após a revolução industrial, que se ficaram a dever ao desenvolvimento tecnológico e científico, levaram a uma organização social com uma maior especialização e a uma estratificação e segregação etária que atingiu, particularmente, a terceira idade.
Parte dos idosos passou a ser, para muitos, para sua própria família, um peso, um obstáculo, um encargo para a sociedade. Parte deles na atualidade, tornou-se uma população “poderosa”. Esta nova importância social que confere ao idoso poder, resulta de um conjunto de fatores: Econômicos; porque os seus consumos são mais elevados, especialmente no turismo e lamentavelmente, de medicamentos.  Cultural; pelos seus conhecimentos que em nada se assemelham com a situação existente no início do século. Aos 65 anos o idoso tem presentemente uma grande capacidade física e intelectual e fácil acesso à informação, fatores que facilitam a aquisição de conhecimentos e que, no futuro, se tenderão a aprofundar. Interventora; pela sua disponibilidade de tempo, o que lhes dá uma maior capacidade de intervenção social. Ética; por não ter nada a perder, hierarquias, cargos, privilégios ou carreiras. Social e Política; pelo seu número e as consequências que este tem nos atos eleitorais.
De acordo com cientistas, não estará longe do dia em que o “adulto envelhecido”, que hoje se situa a partir dos 60 anos, se esteja entre os 100 e os 130 anos.
A solidariedade entre gerações é determinante para o homem e para a sociedade. A solidariedade não pode ser encarada como mero respeito de uns para com os outros. A solidariedade tem muito a ver com a sobrevivência do homem e da sociedade. A terceira ou melhor idade não vai pretender compreensão, vai reivindicar participação. Mas pela sua cultura e ética vai, certamente, ser solidária com as outras faixas etárias.
Concluo de que deve haver um maior respeito por aqueles que nos legaram um vasto patrimônio familiar, amoroso, cultural que foram determinantes na educação de nossa geração.
Barbosa Nunes, advogado, ex–radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil – barbosanunes@terra.com.br

FONTE:https://www.gob.org.br/todos-iremos-envelhecer-artigo-333-do-irmao-barbosa-nunes/

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